Lições de atletas a gestores

Vitória vem quando todo o time é unido por um propósito maior, um troféu de valor material incalculável; e o sucesso demanda talento, mas também determinação.

 

As Olimpíadas terão sua abertura oficial nesta sexta-feira, mas as primeiras partidas de futebol já começaram. É inspirador assistir a um time – com jogadores, técnico, preparador físico e torcida – atuando junto e de forma harmônica rumo a um mesmo objetivo. Essa é a missão de qualquer gestor: conseguir o entrosamento e tamanha entrega de todos os integrantes de sua equipe, para que eles dêem o máximo de si em prol da vitória.

 

Uma das lições que os esportes deixam para o mundo dos negócios é a importância de unir o time em torno de um propósito. Um dos segredos das equipes campeãs é como seus esforços são guiados por uma causa, um troféu que não tem um valor calculável. A segunda lição é de que o sucesso é resultado tanto de talento quanto de determinação, conceito que é ressaltado por Bernardinho, do vôlei.

 

O ex-atleta tem propriedade para falar sobre o assunto. Ele é o maior campeão da história como técnico do esporte, colecionando títulos olímpicos, mundiais e pan-americanos, com as seleções brasileiras masculina e feminina. Bernardinho está à frente das equipes desde 2001, período em que diversas formações já se apresentaram nas quadras. Sua experiência mostra a influência que um gestor pode ter sobre os liderados.

 

Roda da Excelência
O papel do técnico vai muito além do recrutamento e da seleção, abrangendo o que é feito após esse momento para manter o time motivado e entregando seu máximo. “Excelência é um processo contínuo. É encarar uma tarefa dando 100% do que se tem e se capacitando para oferecer cada dia mais. Cabe ao líder mostrar que algo fora desse patamar não é satisfatório, cobrando, instigando e reconhecendo os resultados positivos”, diz o técnico, em entrevista ao Mundo do Marketing.

 

Ele ensina que o segredo das equipes campeãs é unir as pessoas em torno de uma causa e que nem sempre os profissionais mais geniais formam os melhores times. Foi preciso coragem para Bernardinho – campeão olímpico, da Liga Mundial e Pan-americano de vôlei – recomeçar tudo do zero como treinador. E, novamente, conseguiu alcançar a excelência por meio de um conceito de trabalho em equipe, por ele criado, chamado a “Roda da Excelência”. Segundo o treinador, a estrada por onde passa a roda da excelência é pavimentada com o cimento denominado planejamento.

 

Além disso, a orientação e a paixão transmitidas pelo gestor são fundamentais. Bernardinho também é sócio da startup de cursos online EduK, que tem, segundo a Socialbakers, a segunda página de educação mais popular no Facebook Brasil e a oitava no México. A empresa foi aberta em 2013 e, desde então, já contabiliza faturamento na casa das dezenas de milhões de reais, mais de cinco mil horas de conteúdo de vídeo distribuídas e 600 cursos. Mais uma aposta do ex-atleta que está batendo um bolão.

 

Coragem
Empresários, líderes, profissionais em geral e atletas precisam ter coragem, porque é esse sentimento que faz com que projetos incríveis saiam do papel. O desafio é maior quando tudo em torno parece dar errado, mas não há momento em que a coragem seja mais importante. A perda da vaga de titular nos Jogos Olímpicos pode ser encarada como o fim da linha para um atleta, mas o começo de uma nova história para outro.

 

O golpe sofrido pelo judoca brasileiro Flavio Canto quando soube que ele não poderia embarcar para Sydney representando o Brasil, no ano 2000, serviu para empurrá-lo para frente e levá-lo a não só reconquistar o seu posto na competição seguinte como iniciar um trabalho social junto a crianças. A iniciativa culminou com a criação do Instituto Reação, que promove, desde 2003, o desenvolvimento humano e a inclusão social por meio do esporte e da educação.

 

Seu principal desafio é passar os valores que adquiriu durante sua carreira para os pequenos e, assim, formar faixas pretas dentro e fora dos tatames. “Esses valores moldam o potencial de qualquer pessoa e são trabalháveis e incorporáveis ao longo do tempo. O judô já traz essa preocupação com a evolução técnica acompanhada de uma evolução pessoal. Para trocar de faixa, é preciso estar melhor na escola e em casa, por exemplo”, diz Canto, em entrevista ao Mundo do Marketing.

 

Valores são trabalháveis
Para o ex-atleta, embora os valores já estejam mais fortes na essência de algumas pessoas, eles podem sempre ser fortalecidos ao longo do tempo. “Vemos que alguns jovens têm uma resiliência maior, mais capacidade de suportar a pressão, e tudo isso vai formando um atleta de alto rendimento. O que faz diferença é como eles lidam com a derrota, se ficam de pé mais rápido. A agressividade dos jovens também é importante, mas é preciso transformá-la em uma agressividade positiva”, conta o judoca.

 

A busca por profissionais que corram no mesmo passo que as organizações, sintonizados com a cultura da qual almejam fazer parte, é importante e desafiadora. Mas gestores também precisam considerar que valores podem ser absorvidos ao logo do tempo, por meio da vivência, como defende o judoca brasileiro Flavio Canto. Lapidar esse lado das pessoas é especialmente frutífero com jovens ainda em formação. Canto tem a oportunidade de investir no desenvolvimento de potenciais no Instituto Reação, criado por ele, em 2003, para promover o desenvolvimento humano e a inclusão social por meio do esporte e da educação.

 

Fonte: Mundo do Marketing

Ver original: https://www.mundodomarketing.com.br/reportagens/planejamento-estrategico/36612/especial-olimpiadas-licoes-de-atletas-a-gestores.html

 

 


 

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